A poesia, janela da minha alma.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Enquanto Amamos Amamos Direito


Amamos Direito – Gustavo Lacombe

A gente vai ficar sem falar durante dias
E depois vai tentar se olhar
Vamos ter ciúmes de conversas banais
De alguém chegar perto demais
A gente vai fingir que não sente
Vai se esbarrar tão indiferente
Depois vamos comemorar o toque
Lembrar a reboque de um carinho
Vamos ousar imaginar com quem falará
Todas aquelas coisas
Mandaremos alguém perguntar
Se a falta é latente
Se já se interessou novamente
Se já esqueceu o beijo louco
Se já tanta coisa...
E não ficaremos satisfeitos com as respostas
Depois vamos torcer pra que seja igual
Que outro seja tão passageiro
Desejaremos um certo mal
E tudo passará
Novos ares virão se encostar
A gente vai perder o contato
Cada um irá para o seu lado
E aquele “nós” nunca mais encaixará
Permitiremos outra pessoa se aproximar
Fingiremos gostar
Ou então de verdade nos entregaremos
Acharemos que passou
O passado se encarregou de guardar
As fotos serão relíquias
E aquele tempo lá ficará
Vamos achar tanta coisa
E se um dia enfim nos encontrarmos
A gente vai ser estranho de novo
Estranho um ao outro
Saberemos tudo e ao mesmo tempo tão pouco
A garganta deverá travar
Os gestos serão nervosos
Repetitivos
E talvez a gente não vá ligar
Será um acaso sem importância
Ou tentaremos de novo
Um flashback gostoso
Uma, duas, três noites
E depois veremos que era bom apenas lá atrás
Passou, passa e passará mais uma vez
Talvez leiamos nossos nomes em colunas
Em jornais, em revistas, em periódicos
De alguma forma sempre a encarar
Aquela forma resumida dos verbos de amar
E a rotina irá apagar
Depois envelheceremos ao lado de outro
Ou até mesmo sozinho
É impossível prever como se dá o destino
E um dia nos pegaremos a pensar
Que passamos por muito
Queríamos tudo e hoje
Somos apenas história
Ousaremos achar que isso é um nada
Mas nos daremos conta de como foi bom
Importante
Nos permitiremos desejar que o tempo volte
E façamos tudo diferente
Ficará visível o quanto a gente se arrepende
Mas alguém, algo, um fato
Mostrará que a vida é assim
E não há tempo que volte, amor.
Se não somos nada agora um pro outro
Esse devia ser o plano piloto
Que a vida nos encaminhou
Posto que agora sejamos apenas história
Nos conformaremos em dormir em paz
E sonhar com o que ficou na memória
Sem que disso pensemos a mais
E teremos a sensação de dever bem feito
Já que enquanto nos amamos
Nos amamos direito

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ela comanda o show

Show - Gustavo Lacombe


Ela ameaça ir embora
Levando o que ela comprou
Vai me deixar
Sozinho no meio do show


O seu know-how
É doutorado em chantagear
O emocional
Daquele coroado par


Você amansa mais
A fera sabe que é capaz
De conseguir de certo
Chutar pra longe toda sua paz


Tudo isso por carinho
Quando ela quer
O momento mais perfeito
É só quando ela quiser
E não se atreva
A achar que não é assim
Ela sabe exatamente
As palmas do início e o bis do fim


Arranha, esperneia, até se entregar
Apagar seu fogo é um jogo de puro azar
Terrorista negocia a libertação
Entrega espontânea ou desistência do teu coração



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Louco, sim!


Louco, sim! – Gustavo Lacombe

Olha amor, to te pedindo permissão
Favor segura a minha mão
Que é pra eu não sonhar em vão

É sempre assim
Eu finjo ser melhor pra mim
Esqueço o que é ser feliz
Maltrato o coração

Te ver passando nessa rua
Pra mim virou um vício
Por muito tempo eu escondi
Mas hoje eu preciso

Dizer que eu sou louco, sim
Pelo andar dessa menina que está sempre a sorrir
E quero mais que declarar
Merecer mais que um cantinho desse seu lindo olhar

Olha amor, to te pedindo, por favor.
Eu sei que o mundo já notou
Mas só você que não

É sempre assim
Eu finjo não dar condição
Esqueço ninguém manda, não
Nesse tal coração

Te ver passando nessa rua
Pra mim virou um vício
Por muito tempo eu escondi
Mas hoje eu preciso

Dizer que eu sou louco, sim
Pelo andar dessa menina que está sempre a sorrir
E quero mais que declarar
Merecer mais que um cantinho desse seu lindo olhar

E quem sabe até
Ser motivo pra sonhar
Visitar o paraíso
E com você acordar





Viva a loucura de amar!

domingo, 3 de outubro de 2010

Esfinge

Decifra-me – Gustavo Lacombe

Te olho sem saber como prever
O que tenho que fazer
Decifro-te ou morro
Devorado sem saber

E mais estranho é calcular
Um passo pra tentar
Descobrir o que é
Por que consegue o que quer

Será que ouve o que gosta
Ou o que falo te incomoda
Mudo minha pessoa
Pra tentar te trazer à tona

Zomba meus erros do caminho
Não perdoa uma falha
Tão fácil de entender
Que envolta há uma muralha

Protegendo contra os medos
Traumas, segredos e afins
Louco quem tentar
Explorar o teu sorrir

Mesmo com o tanto
Que mostra para mim
Parece que cada dia
Eu sei menos de ti

Mais insano ainda
É querer continuar
Procurando uma maneira
Uma porta pra entrar



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Quem sabe o q dizem os olhos de uma mulher?